ABIH-PE é contra construção de empreendimento português em Porto de Galinhas

ABIH-PE- porto de galinhasPorto de Galinhas atualmente possui 18 mil leitos

O caso do complexo turístico da Casa do Governador - terreno de 70 hectares localizado em Porto de Galinhas (PE) - ganhou um novo capítulo. A ABIH Nacional (Associação Brasileira de Indústria de Hotéis) e ABIH-PE (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Pernambuco) se posicionaram contra a construção do empreendimento da TD Hotéis (Teixeira Duarte Hotéis), rede hoteleira portuguesa.

O projeto prevê a construção de dois hotéis com mil UHs (unidades habitacionais), além de flats e unidades de lazer. Entretanto, o terreno da Casa do Governador é posse do Estado e da União. Em 2008, o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos, fechou negociações com o grupo para o levantamento do complexo. 

O assunto vem sendo discutido pelo trade turístico desde 2001, e tanto a cadeia hoteleira quanto a comunidade consideram o projeto inadequado para a região. A propriedade foi a leilão em 2006, quando a TD Hotéis adquiriu o terreno. A compra complicou ainda mais o cenário, pois esbarrou em questões judiciais  com a SPU (Secretaria de Patrimônio da União).

Para Manoel Linhares, presidente da ABIH Nacional, a região já possui muitas ofertas de leitos - cerca de 18 mil, distribuídos em 20 hotéis e 200 pousadas, e o ideal seria dar outro destino ao terreno. “Porto de Galinhas é hoje um case mundial que vem sendo trabalhado há mais de 30 anos quase que exclusivamente pela hotelaria e empreendedores do turismo local. Hoje, recebe um milhão de turistas por ano, sendo que 70% nacional e 30% estrangeiros. O governo do estado poderia, por exemplo, criar um centro de lazer com diferentes equipamentos turísticos para aumentar as opções de entretenimento e, consequentemente, o tempo de permanência do viajante no destino”, ressaltou Linhares.

Para complicar ainda mais a questão, o projeto possui itens polêmicos como: uma das áreas é destinada para implantação de flats e condomínios. “Esse tipo de empreendimento é de extremo risco, pois gera diversos problemas aos destinos turísticos, como a super oferta de leitos e o não recolhimento de tributos ao município. É preciso destacar ainda que a instalação de flats, num local que deve ser utilizado com o viés do desenvolvimento sustentável, certamente irá descompensar o equilíbrio da indústria hoteleira que vem se instalando há décadas com competência, coerência e previsibilidade, e não servirá sequer como impulsionador do turismo e gerador de emprego, pois os flats geram apenas um décimo dos empregos criados pelos hotéis”, explica Otaviano Maroja, vice-presidente do Porto de Galinhas Convention & Visitors Bureau.

Segundo o ele, o destino recebe turistas nacionais e internacionais, com permanência média de sete dias, o que demanda atrativos turísticos na região.“A área poderia ser utilizada também para expansão da Vila, que hoje se encontra congestionada. Precisamos lembrar que o local é uma área estratégica para o desenvolvimento consistente e durável do destino turístico de Porto de Galinhas, sendo a última área de grande porte existente, então precisa ser muito bem utilizada”, comentou.

ABIH-PE: infraestrutura

Outra questão é o problema de infraestrutura que Porto de Galinhas enfrenta atualmente. “Porto de Galinhas oferece belíssimas praias, ótimos restaurantes, hotéis de alta qualidade, mas ainda temos dificuldade com saneamento básico, limpeza urbana, vias de acesso, segurança e iluminação pública”, diz Artur Maroja, presidente da ABIH-PE. “São diversos gargalos que Porto enfrenta e, sem dúvidas, isso pode ficar ainda mais sério com a construção de um espaço que vai aumentar ainda mais o número de leitos na região. É muito importante que haja o debate aberto entre o poder público, as entidades de classe e a iniciativa privada de forma que possamos encontrar a melhor solução para uso da área”, afirma. 

Linhares destacou ainda que empreendimentos como o da TD Hotéis incentivam o turismo predatório, inviabilizando comercialmente muitos hotéis e pousadas da região.  “Já foi sinalizada à Embratur, o interesse de empresas em instalar um parque temático no local. É preciso ter planejamento, estratégia e estimular o turismo na região através de iniciativas coordenadas e não aumentar a oferta turística da forma irresponsável que está sendo proposta. O problema se agrava mais quando o local escolhido é cercado de polêmicas e processos judiciais”, finalizou Linhares.

Carta ao presidente

Buscando intervenção do Poder Executivo, Linhares enviou uma carta ao presidente Jair Bolsonaro, solicitando a suspensão da construção do complexo português. “É nosso dever sinalizar que o local é uma área estratégica para o desenvolvimento consistente e durável do destino turístico de Porto de Galinhas, que se tornou um case internacional, graças ao equilíbrio, competência, coerência e previsibilidade com que a indústria hoteleira vem se instalando no local, há mais de 30 anos”, diz o documento.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Porto de Galinhas CVB

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