Com o coronavírus, como ficam os hotéis econômicos?

Hotéis econômicosCity Hotel (PR) optou por manter as portas abertas

De empreendimentos upscale a hotéis econômicos,  o coronavírus não poupou ninguém. Com fechamentos em massa e o mercado em colapso, como ficam as propriedades que não têm acesso ao mercado de capitais? Para entender melhor como o segmento está reagindo à pandemia, o Hotelier News conversou com alguns hoteleiros independentes com esse perfil.

Contando com medidas de socorro do governo e com a sorte, a maioria dos hotéis se arriscam mantendo suas operações e reduzindo o quadro de funcionários, que já era enxuto mesmo antes da chegada da Covid-19. Funcionando com ocupações baixíssimas, alguns hoteleiros afirmam que permaneceram abertos com receio de perder hóspedes habituès.

No Rio de Janeiro, o Lapa Ville Hotel, antigo parceiro da Oyo Hotel & Homes, afirma que ainda atende a alguns clientes mesmo com recomendações de isolamento social. “Permanecemos abertos e, esta semana, chegamos a 10% de ocupação, mas não sabemos até quando”, comenta Marivaldo Lima, gerente geral da propriedade.

No Sul do país, o Hotel Econômico Canoas (RS) ainda não fechou as portas, mas a previsão é de encerramento das atividades por tempo indeterminado até o final de abril. Segundo Alexandre Xandão, proprietário do empreendimento, 30 hóspedes ainda mantém o hotel funcionando. “São funcionários de outro estado de uma empresa parceira que sempre se hospedam aqui, o que representa 30% de ocupação, mas não estamos aceitando novos clientes”, explica.

O empresário afirma que não se sente seguro em manter as operações e que alterou os horários da equipe. “Eles chegam às 8h e vão embora às 15h, apenas para limpeza. O café da manhã quem serve sou eu. Estamos higienizando as áreas com um pulverizador e tomando todas as medidas recomendadas”, assegura.

Hotéis Econômicos: colaboradores

Em Santa Catarina, a Pousada do Museu fechou as portas, respeitando o decreto do governo estadual. Com os colaboradores em férias forçadas até o dia 30 de abril, Marco Antonio Lacerda, proprietário do meio de hospedagem, diz que vai adotar medidas de suspensão de contratos anunciadas ontem (1) pelo governo federal. “Vamos seguir com as medidas, mas de qualquer forma, precisamos de capital de giro e os bancos não reduziram o crédito. Se permanecermos assim, não sei como será o futuro”, lamenta.

Parceiro da Oyo, o City Hotel, em Curitiba, também manteve suas operações com time reduzido. “Estamos tomando todos os cuidados e operando normalmente. Se chegar hóspedes novos, nós recebemos. Seis de nossos apartamentos estão ocupados, mas corremos o risco de fechar, pois desta forma, manter o hotel aberto será pior”, comenta Vânia Sanches, gerente geral da unidade. No empreendimento curitibano, um dos funcionários saiu de férias e outros dois se demitiram.

Na capital paulista, o Victory Hotel, de apenas 24 apartamentos, arriscou e também continua recebendo hóspedes - quando aparecem. Da mesma forma que o Hotel Econômico Canoas, a demanda restante é corporativa. “Os hóspedes que tenho aqui são pessoas que trabalham no Pacaembu, mas essa ocupação não carrega ninguém. Sem empresas e shows, que são o que nos sustentam, teremos que encerrar as atividades”, conta o proprietário, Genésio Boccia.

O hoteleiro paulistano tomou medidas radicais e demitiu grande parte de seus colaboradores. “Não teve outro jeito. Os outros custos de manutenção não param”. Em Canoas, Xandão vem fazendo o possível para manter o emprego de seus funcionários, mas já sabe até quando poderá aguentar. “Posso pagar por três meses, depois disso não sei”, revela.

Mesmo com o anúncio do bote salva-vidas do governo, alguns hoteleiros ainda estão descrentes quanto à ajuda. “Vamos esperar por estes créditos, se vierem. Precisamos começar a pensar na retomada, que será gradativa, já que mesmo quando a pandemia passar, muitos turistas ainda terão medo de viajar”, prevê Lacerda.

(*) Crédito da capa: Divulgação/Pousada do Museu

(**) Crédito da foto: Divulgação/City Hotel

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