Depois do mercado, governo federal corta previsão de alta do PIB

PIB - projeção do governo_internaPara o mercado imobiliário, Reforma da Previdência tente a acelerar investimentos

Depois do mercado financeiro, e do BC (Banco Central), o governo Jair Bolsonaro finalmente se rendeu a realidade. Hoje (12), a administração federal reduziu a projeção de alta do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano de 1,6% para 0,81%. Agora, a estimativa para o PIB está mais em linha com a do mercado, que vem sendo reduzido semana a semana. No último boletim Focus, feito pelo BC, a expectativa era de alta de 0,82%.

Em comunicado, o governo chamou atenção para a lentidão da economia em função de choques políticos e econômicos. Por isso, os investimentos em compasso de espera pela Reforma da Previdência. A avaliação se baliza na nova grade de parâmetros macroeconômicos divulgada pelo Ministério da Economia. No mercado imobiliário, incluindo projetos hoteleiros, a impressão é parecida.

No curto prazo, a SPE (Secretaria de Política Econômica), vinculada ao Ministério da Economia, assinalou que prevê elevação de 0,3% do PIB no segundo trimestre frente aos três meses anteriores. “A confiança de empresários e consumidores tem se reduzido em relação ao início do ano, dada a demora na retomada. A produção industrial apresentou ritmo próximo de zero em abril e maio, com recuo da indústria extrativa e menor ritmo dos ramos de transformação”, disse a SPE.

A secretaria ressaltou ainda que a tragédia de Brumadinho respondeu, nas suas contas, por cerca de um terço da queda da indústria até o momento. “Os serviços mostram recuperação lenta devido a dificuldades de empresas e de famílias. Quanto à agropecuária, nota-se alguma recuperação da safra de grãos”, acrescentou a pasta.

PIB nos próximos anos

Para 2020, o governo também diminuiu sua expectativa para o PIB a um crescimento de 2,2%, ante 2,6% divulgado em maio. Já para 2021 e 2022, a expansão esperada manteve-se em 2,5%. “A redução do crescimento da atividade em 2020 se deve substancialmente ao efeito base, ou seja, o menor patamar do PIB neste ano afetará o desempenho do PIB em 2020, mesmo crescendo a taxa de 2,5% anualizada em média no próximo ano”, disse a SPE.

Em nota, a SPE ressaltou que seus cálculos não incorporam “por completo” os efeitos da aprovação da Reforma da Previdência. Novas medidas que beneficiarão a economia, como ajustes na legislação tributária, também não entraram na conta.

O governo também reviu a projeção para a inflação medida pelo IPCA a 3,8% em 2019, sobre 4,1% na estimativa divulgada em 10 de maio. O percentual é o mesmo que a projetada pela pesquisa Focus.

(*) Crédito da capa: InspiredImages/Pixabay

(**) Crédito da foto: Free-Photos/Pixabay

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