Três perguntas para: Mario Viazzo

Reportagem atualizada em 08/07/2020, às 18h42*

Três perguntas para - Mario ViazzoViazzo: Palladium estima retomada aos padrões pré-crise de receita em 2021

Quando consegue um tempinho fora do trabalho, Mario Viazzo gosta de pilotar carros antigos em corridas amadoras com seu pai. Agora, para isso acontecer, a agenda precisa estar mesmo realmente livre – e a razão é nobre. “Meu hobby favorito, sendo o que mais me dedico, é ficar com os meus filhos”, diz o diretor Comercial do Palladium Hotel Group para América Latina, referindo-se a Tómas e Amelia, de sete e cinco anos, respectivamente.

“Gostamos muito de ir a hotéis all inclusive em família, porque é onde você realmente consegue descansar e se desconectar, e as crianças aproveitam muito”, acrescenta o executivo, já fazendo (inconscientemente ou não?) um comercial de muitos dos produtos do grupo espanhol, que completa 50 anos de fundação este ano. Pouco importa, na verdade, porque ele tem bastante razão no que está falando. Mais ainda, quem vê a retomada da hotelaria na China e nos EUA percebe que os consumidores vêm procurando produtos de lazer. 

Ainda assim, Viazzo sabe do tamanho do desafio que a retomada representa. “Estamos muito atentos à malha aérea, tanto interna, quanto externa, porque isso determina de forma muito direta a demanda dos nossos hotéis”, explica o executivo, convidado de hoje (7) do Hotelier News do Três perguntas para. “Estamos otimistas com a retomada. Temos ótimos produtos no Brasil e no Caribe e estamos oferecendo tarifas flexíveis para os nossos futuros viajantes, de forma que eles podem remarcar a viagem caso julguem necessário”, completa.

Três perguntas para: Mario Viazzo

Hotelier News: Qual foi o impacto da pandemia na rede? E na América Latina? É possível estimar as perdsa de receita em relação a 2019?
 
Mario Viazzo:
O Palladium Hotel Group vinha numa importante curva de crescimento. No momento em que celebramos 50 anos, iríamos inaugurar mais dois hotéis, na Itália, e chegaríamos aos 50 hotéis em 50 anos, em seis países. Uma marca importante não só para o grupo, mas para os mais de 15 mil colaboradores. O Palladium possui, ao todo, 10 marcas diferentes, com características próprias, visando sempre oferecer diferenciais para transformar seu hóspede em fã.  No momento em que foi decretada a pandemia, tivemos de refazer todo o nosso planejamento para os próximos dois meses. Suspendemos a operação de nossas unidades na América e na Europa e tivemos de refazer todo o nosso planejamento operacional e comercial. Na primeira fase, buscamos entender a situação, realizar um diagnóstico e reestruturar as operações para o período em que os hotéis estivessem suspensos. 

Na fase dois, reinventamos nosso modelo de trabalho e passamos a atuar remotamente para estarmos próximos aos nossos clientes, ainda que não fosse possível a aproximação física, como eventos e treinamentos. Passamos a investir em capacitações online duas vezes por semana, e os números foram muito positivos: mais de 2 mil agentes e profissionais do turismo participaram ativamente dos encontros. Agora, estamos na fase três, de análise do contexto, elaboração de plano de ação e redefinição dos objetivos a curto, médio e longo prazo para a reabertura dos nossos hotéis na América e na Europa. Na Espanha, por exemplo, os hotéis reabriram em junho, respeitando todos os protocolos e normas de segurança das autoridades locais e da OMS (Organização Mundial de Saúde). No momento, a maioria de nossas unidades está com as operações temporariamente suspensas, muitos deles desde o final de abril. Entretanto, já temos a data de reabertura do Grand Palladium Imbassaí Resort & Spa, na Bahia, confirmada: 06 de agosto de 2020

HN: Obviamente, a América Latina não é a China, mas a retomada da demanda por lá esteve ligada a produtos de lazer (resorts) e econômicos. Neste sentido, qual o grau de otimismo do Palladium Hotel Group? Com quantos cenários trabalham para se planejar? 

MV: Estamos otimistas com a retomada. Nossos hotéis, na América e na Europa, vão seguir todos os protocolos e normas de segurança indicados pela OMS e autoridades locais. Temos ótimos produtos no Brasil e no Caribe e estamos oferecendo tarifas flexíveis para os nossos futuros viajantes, de forma que eles podem remarcar a viagem caso julguem necessário. Trabalhamos com diferentes cenários porque temos hotéis em vários países, e cada um com sua especificidade. Estamos muito atentos à malha aérea, tanto interna, quanto externa, porque isso determina de forma muito direta a demanda dos nossos hotéis. No Grand Palladium Imbassaí Resort & Spa, por exemplo, dependemos dos voos regulares dentro do Brasil e também dos vêm da Argentina.

HN: E como estão os preparativos para a reabertura e o pós-pandemia? O que será crítico no início? Quando será possível retomar os padrões de faturamento de 2019?

MV: Seguimos todas as recomendações da OMS para elevar ainda mais os nossos padrões em termos de segurança, qualidade, higiene e saúde, incorporando novas normas e protocolos. Criamos o Conselho Global de Segurança e Experiência do Cliente, com representantes de todos os países onde operamos, além de diversos grupos de organizações externas certificadas com o objetivo de garantir o cumprimento destes protocolos exigentes, avaliando e melhorando permanentemente estas medidas, que estamos homologando por meio de diversos agentes. Também estabelecemos um guia de boas práticas e requisitos obrigatórios para todos os nossos fornecedores. E serão realizados controles de temperatura com termômetros infravermelhos, tanto em colaboradores, como em fornecedores. Neste momento, o mais crítico é realizar todas essas mudanças para garantir a segurança do nosso hóspede, colaboradores e fornecedores, mas sem prejudicar a experiência do nosso turista. Acreditamos que a retomada, em termos de faturamento, virá no próximo ano.

(*) Crédito da foto: Divulgação/Palladium Hotel Group

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