Três perguntas para: Orlando Souza

Orlando SouzaSouza: no pós-pandemia, o que vai valer é a confiança do viajante

Presidente executivo do FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil) desde 2016, Orlando Souza tem sido um das principais articuladores na busca por medidas do governo que auxiliem o setor hoteleiro no combate ao coronavírus. O executivo vem fazendo um amplo trabalho à frente da entidade para a evolução do mercado de hospedagens e, claro, não poderia ficar de fora no Três perguntas para.

Formando em Administração pela USP (Universidade de São Paulo), Souza atuou durante anos no departamentos de RH (Recursos Humanos) em empresas dos mais diversos segmentos, como siderúrgico, por exemplo. Já no mercado hoteleiro, atuou na Hilton durante três anos e, posteriormente, na Accor, onde permaneceu por mais de 20 anos.

Após deixar a rede francesa, o executivo teve uma passagem de cinco anos na Secretaria Municipal de Turismo de São Paulo, quando ajudou na criação de uma empresa governamental de turismo: a Companhia Paulista de Eventos e Turismo.

Três perguntas para: Orlando Souza

Hotelier News: Segundo dados do FOHB, 47% dos hotéis esperam reabrir até junho. Como os associados esperam esta retomada?

Orlando Souza: Os dados vêm na linha do que estamos observando no exterior. Isso foi uma enquete quantitativa que fizemos com aos associados e apenas retratamos. Essa retomada para nós tem sentido, porque quando analisamos a curva de países como a China, na medida em que a pandemia se comprime inicia-se uma retomada da demanda e taxa de ocupação hoteleira. Estamos esperando o achatamento da curva no final de abril e primeira quinzena de maio. Então, é razoável imaginar que na segunda quinzena deva iniciar uma retomada que se fortalece nos próximos meses, por isso essa expectativa. 

HN: Como o FOHB está auxiliando os associados neste momento de crise? Quais ações a entidade vem adotando?

OS: Durante a crise, o FOHB  está sendo um hub de informações, levantando dados e interagindo em dois grupos: um de CEOs e companhias aéreas, e outro com diretores de Marketing. Nestes grupos fazemos lives constantes passando informações que achamos pertinentes. No caso dos CEOs, abordamos tomadas de decisões, do que fazer, de manter aberto hotel, como tratar questões trabalhistas e informações sobre linhas de crédito.

O FOHB também faz parte de um grupo de trabalho com outras entidades, como a Resorts Brasil, ABIH, BLTA e Sindepat, articulando junto às autoridades e ao governo no sentido de conseguir medidas que façam face a essa necessidade imediata dos hotéis e redes que foram pegos de surpresa como todo mundo. A hotelaria, em particular, é a primeira a ser atingida: as ocupações vão a zero e, provavelmente, será a última na retomada. Estamos trabalhando para dar suporte aos associados e tudo aquilo que possa ser feito para administrar a crise.

HN: Em tempos de crise, oportunidades de sair da caixa acabam aparecendo. O que a pandemia pode trazer de inovação para o setor?

OS: Algumas coisas têm que estar claras para os hoteleiros. Uma delas é o é a necessidade de ferramentas tecnológicas, principalmente de BI (Business Intelligence), para conseguir retomar a questão da diária média rapidamente, pois ainda que a ocupação cresça, ainda terá impacto, porque sabemos que este indicador demora para acompanhar a retomada da demanda. Isso vai ajudar gestores a fazerem análises propositivas de onde estão as melhores oportunidades para distribuir e vender seus inventários e não ficar concorrendo pura e simplesmente na redução de tarifas, pois vai jogar uma espiral para baixo matando a hotelaria.

É importante que os hotéis que estão fechados aproveitem este momento para requalificar seus ativos, aqueles que tiverem algum caixa para isso. É raro que algum hotel não tenha nenhum hóspede dentro para fazer isso em termos técnicos, de obras, renovação e melhorias sem prejudicar o conforto dos clientes. No fundo, isto é uma oportunidade para aqueles que puderem fazer ter um diferencial competitivo no futuro.

A análise das operações, tudo aquilo que é feito, é momento de reflexão: se continuam fazendo do mesmo jeito ou se existe alguma maneira de diferente, com equipes mais reduzidas e qualificadas no sentido de obter mais produtividade. No pós-pandemia, o que vai valer muito é a fidelidade, pois vai se criar uma síndrome do medo na sociedade como um todo. A confiança nas marcas será crucial no processo de decisão das pessoas que utilizarem os meios de hospedagem daqui para frente.

(*) Crédito da foto: Divulgação/FOHB

Comentários